A páscoa possui um significado muito mais sublime do que lhe é atribuído pela nossa sociedade capitalista. Páscoa nada tem a ver com coelhos ou ovos de chocolate e, acerca disto, não precisamos nem ficar perdendo tempo.
A palavra “páscoa” possui origem hebraica e significa “passagem”, fazendo referência ao dia em que o povo hebreu iria contemplar a décima praga do Egito, a morte dos primogênitos, e desta forma seria liberto das garras poderosas de Faraó.
Naquela noite terrível, os filhos de Deus deveriam matar um cordeiro limpo e aspergir o seu sangue nos umbrais das portas como sinal de identificação, e, cingidos (ou sejam, preparados), comer a carne do cordeiro antes de amanhecer o dia. Durante a noite, o anjo do Senhor passou pelo lugar e, nas casas onde não havia sangue aspergido na porta, entrou e matou os primogênitos.
Foi um momento de muita angústia, choro e tristeza para as mães, fruto da dureza e da desobediência renitente de Faraó.
Mais adiante, o apóstolo Paulo iria esclarecer que tudo isso era sombra das coisas que haveriam de vir (Cl 2:17). Em outras palavras, o cordeiro imolado significava a Cristo, o Cordeiro Santo de Deus, que seria imolado para que nós pudéssemos ser libertos da escravidão do Egito, ou seja, do pecado e da morte.
Casualmente, por questões culturais impostas pelo catolicismo romano, a Páscoa é comemorada no mês de Abril. Mas este detalhe também não é tão importante. O mais importante, é conservarmos em mente e dentro do nosso coração o fato de que Cristo morreu e ressuscitou ao terceiro dia, oferecendo a todos a oportunidade de serem redimidos dos seus pecados e libertos de todo tipo de escravidão.
Da mesma forma que algumas polêmicas foram criadas em torno do Natal, assim também alguns evangélicos têm se levantado para criar polêmicas acerca da Páscoa, afirmando que não devemos comemorá-la e isto porque sua data é incerta e foi incluída em nosso calendário pelo catolicismo.
Volto a insistir que datas, para nada têm valor. Podemos sim santificar esta data e separá-la para relembrar todas as pessoas acerca da morte e ressurreição de Cristo. Podemos utilizá-la para testemunhar de Cristo sem nenhum tipo de constrangimento.
Paulo afirma: Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros, de boa vontade. Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. Mas, que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. Fl 1:15-18.
Portanto, amados irmãos, aproveitemos esta data para reunir nossas famílias, para um momento de comunhão e reflexão, para anunciar a morte e ressurreição de Cristo, para dar testemunho do seu sacrifício na Cruz e de relembrar a nossa sociedade que Cristo morreu pelos nossos pecados.
Lembremos de que não somos cidadãos deste mundo, que devemos estar todo o tempo preparados para a vinda do Senhor, quando seremos enfim libertos deste corpo e deste mundo e estaremos para sempre com o Senhor. Desejo a você e à sua família uma Feliz Páscoa.
Pr. Abraão da Silva.






